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Gestor Financeiro: O Que Ele Realmente Faz?

Muitos imaginam o gestor financeiro como um controlador de saldos, focado apenas em relatórios passados, conciliações bancárias e no controlo de custos. Embora a contabilidade seja a linguagem dos negócios, o papel do administrador, ou Director Financeiro (CFO), vai muito além. Ele é o responsável, cujo principal objectivo não é mais apenas gerar e maximizar o lucro, mas sim na maximização da riqueza.

Conforme destacado por Lawrence J. Gitman, focar apenas no lucro é uma visão limitada e ultrapassada pois ignora o risco, o momento dos retornos e, mais importante, o fluxo de caixa, que é o verdadeiro rei da avaliação do negócio . A maximização da riqueza, reflectida no valor das ações da própria empresa, é uma meta muito mais abrangente e robusta.

Para atingir esse objectivo, o gestor financeiro concentra suas atividades em três decisões fundamentais que moldam o futuro das finanças da empresa.

 

A Decisão de Investimento

Também conhecida como orçamento de capital (capital budgeting), esta é a decisão mais importante que um gestor financeiro toma. Ela responde à pergunta: “Em quais activos a empresa deve investir seus recursos?”

Na verdade, essa decisão é a que molda o lado esquerdo do balanço patrimonial — O Activo, e envolve a avaliação de projectos de longo prazo, como:

  • Lançamento de um novo produto ou linha de serviços.
  • Construção de uma nova fábrica ou expansão de instalações existentes.
  • Aquisição de novas tecnologias ou maquinário.
  • Realização de uma grande campanha de marketing para conquistar um novo mercado.

A tarefa do gestor financeiro é analisar os fluxos de caixa relevantes que cada projecto proposto irá gerar ao longo do tempo e compará-los com o investimento inicial necessário. Usando técnicas como o Valor Presente Líquido (VPL) e a Taxa Interna de Retorno (TIR), ele avalia se o retorno esperado compensa o risco assumido.

O foco é, Apenas projectos que prometem um retorno superior ao custo de capital da empresa são aceitos, pois são eles que efectivamente criam valor e aumentam a riqueza dos acionistas.

 

A Decisão de Financiamento:

Uma vez que os melhores projectos de investimento são identificados, a próxima pergunta é: “De onde virá o dinheiro para financiá-los?” Essa é a decisão de financiamento, que trata da estrutura de capital da empresa.

Essa decisão molda o lado direito do balanço patrimonial — O passivo e o Patrimônio líquido. O gestor precisa encontrar a combinação ideal entre duas fontes principais de capital de longo prazo:

  • Capital de Terceiros (Dívida): Empréstimos bancários, emissão de obrigações (títulos de dívida), etc.
  • Capital Próprio (Patrimônio Líquido): Recursos dos próprios acionistas, seja através da emissão de novas ações ou da retenção de lucros.

Cada fonte tem suas características, por exemplo, a dívida é geralmente mais barata, pois os juros são dedutíveis do imposto sobre os lucros, porém, aumenta o risco financeiro da empresa, pois cria uma obrigação contractual de pagamento de juros e principal. Um excesso de dívida pode levar à insolvência. Por outro lado,  a emissão de novas ações pode diluir a participação e o controlo dos acionistas existentes.

Então, o objetivo é encontrar  e manter a “estrutura de capital ideal”, uma combinação de capital de terceiros e capital próprio que minimiza o Custo Médio Ponderado de Capital da empresa. Um CMPC mais baixo significa que mais projectos se tornarão lucrativos, permitindo que a empresa cresça e maximize seu valor de mercado.

 

A Decisão de Dividendos

Esta decisão está intrinsecamente ligada à decisão de financiamento e responde à pergunta: “O que a empresa deve fazer com os lucros que gerou?” Existem duas opções principais:

  • Distribuir aos Acionistas: Pagar os lucros aos proprietários na forma de dividendos em dinheiro.
  • Reter e Reinvestir: Manter os lucros na empresa como lucros retidos, que se tornam uma fonte de financiamento com capital próprio para novos investimentos.

A política de dividendos envia sinais importantes ao mercado. Uma política de dividendos estável e crescente é frequentemente interpretada como um sinal de confiança da administração na saúde e no futuro da empresa. Por outro lado, reter lucros para financiar projectos de alto retorno também pode ser visto de forma positiva, pois leva ao crescimento futuro e à valorização do preço da ação.

Essa decisão resume-me a uma análise de oportunidades. Se a empresa tem projectos de investimento que podem gerar um retorno maior do que os acionistas poderiam obter por conta própria, faz sentido reter os lucros. Se as oportunidades de investimento lucrativas são escassas, o melhor é devolver o dinheiro aos acionistas.

Importante salientar que essas três decisões (investimento, financiamento e dividendos)  não são tomadas isoladamente. Elas formam um sistema dinâmico e interconectado. Pensa comigo, a quantidade de investimentos lucrativos que uma empresa pode fazer (Orçamento de capital) depende directamente do seu custo de capital, que é determinado pela sua estrutura de financiamento (Estrutura de Capital). Por sua vez, a necessidade de financiamento com capital próprio influencia directamente a quantidade de lucros que pode ser distribuída como dividendos (Decisão de  dividendos).

Longe de ser apenas um controlador do saldo no caixa e no Banco BAI, o gestor financeiro é um estrategista central, um verdadeiro arquitecto de valor, com a “simples” missão de equilibrar habilmente o risco e o retorno através dessas três decisões. Este deve construir as bases para o crescimento sustentável e a maximização da riqueza garantindo a saúde e a longevidade da empresa no competitivo cenário de negócios.

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